O papo de hoje é com o conselheiro Evandro Janovik. Gremista desde Abril de 1970, nascido em 29 de Dezembro de 1970 e Sócio Gremista desde 1994, Engenheiro e Mestre Cervejeiro, Evandro é integrante do MGN desde a origem. Nunca perdeu uma partida em Mundial de Clubes, tendo sempre honrado a história do futebol Sul-Americano.
MGN – Lembrança de um jogo inesquecível.
Jogos inesquecíveis foram muitos, isso é próprio de um clube multi campeão e com a personalidade do Grêmio. Mas para eleger um entre tantos, vou usar o critério de estar presente, onde escolho Grêmio x Portuguesa, final do Campeonato Brasileiro de 1996, exemplo clássico do que o Grêmio é e representa, do “não se entregar nunca”, do “crescer na adversidade”, da “força indestrutível da torcida Gremista”, do “contra tudo e contra todos” (lembram da “namoradinha do Brasil”, todos querendo a Lusa campeã?).
Por fim, um motivo mais que especial para escolher essa partida: foi a primeira partida que minha mãe assistiu no estádio Olímpico. Minha mãe, meu maior amuleto da boa sorte!
MGN – Porque o MGN? Podes contar um pouco da tua história no Movimento?
Uma tarde de domingo, num jogo no Olímpico, em maio de 2000, recebi na arquibancada social do estádio Olímpico um panfleto, metade de uma folha A4, convidando a participar de reuniões de associados que seriam realizadas num restaurante da Felix da Cunha. Era o surgimento do MGN, as primeiras reuniões do Movimento Grêmio Novo. No começo duas mesas eram suficientes para as reuniões daquele pequeno grupo de associados Gremistas que buscavam um Grêmio com “Transparência e Participação”.
Como não tínhamos nenhum laço familiar, político, de amizade ou profissional com integrantes do conselho deliberativo e da direção da época, nosso começo, como quase todo começo sem “padrinhos” teima em ser, foi bastante duro com nosso desejo de obter espaço dentro do Grêmio para nossas idéias e propostas. Com um claro foco em implantação de conceitos (e práticas) de gestão e de melhorias, associado à uma postura propositiva, fomos nos fazendo ouvir aos poucos dentro da administração e do conselho do clube, com idéias entregues na forma de projetos razoavelmente estruturados e efetivamente aplicáveis.
Porque o MGN? Na realidade, na época, início do ano 2000, não havia a pluralidade de Movimentos que se vê hoje. O que eu vi em nossas primeiras reuniões foi um grupo, ainda pequeno, de Gremistas que pensavam o Grêmio aberto ao seu sócio, vivendo para atender aos anseios dos seus sócios e torcedores, plural em representatividade de pensamentos, de administração profissional e competente, com gestão por indicadores, dividido em áreas e unido em prol dos resultados de fora e de dentro do campo. Um Grêmio que trilhasse caminhos modernos em gestão administrativa e esportiva, com foco em resultados.
O MGN foi o pioneiro como Movimento. Foi pioneiro em agrupar Gremistas desejosos de participar ativamente da vida administrativa e política do clube. Rompemos barreiras, afinal, ainda no começo dos anos 2000 apenas entravam para o conselho associados com laços familiares, políticos ou profissionais com os “cardeais” da política tricolor ou com conselheiros influentes. Foi o MGN que propôs e defendeu a inovadora campanha “Presidente do Centenário, Eu quero votar!” Era o embrião das atuais eleições para Presidente do Grêmio abertas aos sócios que hoje são uma realidade. Foi o MGN que propôs pela primeira vez eleições proporcionais para o Conselho, permitindo que o acesso a vagas no Conselho Deliberativo deixasse de ser apenas sonho de sócios Gremistas não apadrinhados. E por fim foi e é o MGN quem se mantém firme na busca de democratizar cada vez mais nosso clube.
Dentro do MGN, participei em comissões na primeira diretoria, fui Presidente do MGN durante um curto espaço de tempo, pude liderar alguns dos primeiros trabalhos apresentados ao Grêmio, tais quais a primeira pesquisa de satisfação dos associados com o clube, projeto de implantação de placar eletrônico em formato de negócio como fonte de receita, projeto de estratificação de dados da nossa primeira ouvidoria, dentre outros trabalhos levados à frente pelo grupo. Desde o seu início o MGN foi um grupo que pensava o Grêmio em constante evolução e modernização. Também muito me orgulho dos trabalhos na linha de frente, tais quais a função de orientador de jogos, o trabalho realizado como ouvidor na implantação da nossa primeira ouvidoria junto ao líder e amigo Saul Berdichevski, as diversas atividades de distribuição de informativos do MGN aos sócios em dias de jogos (sob sol e chuva), eleições, e, por fim, a participação em trabalhos que eram o embrião e as primeiras ações efetivas do Projeto da nossa Arena.
Tenho uma satisfação pessoal muito grande em ter participado do surgimento de um grupo de associados que fez o Grêmio democratizar-se e modernizar sua gestão. E que está dando uma obra do tamanho da Arena a toda a torcida Gremista.
MGN – Como integrante da Comissão para Assuntos Relativos ao Patrimônio do Conselho Deliberativo, podes falar um pouco sobre as atividades desenvolvidas por essa Comissão e sobre a sua importância para o clube?
A oportunidade que me foi dada de participar da Comissão para Assuntos Relativos ao Patrimônio do Conselho Deliberativo está sendo algo que me apresentou um enorme prazer de poder estar muito próximo da construção da Arena e dos outros itens deste Projeto e ao mesmo tempo me desafiou como Engenheiro que sou, por formação.
Esta Comissão trata, dentro do escopo de atividades do conselheiro deliberativo, das questões que envolvam o patrimônio do Grêmio. É comum imaginarmos como patrimônio do Grêmio apenas seus estádios (Olímpico e Arena), CT de Eldorado do Sul e suas áreas sociais (Ilha, Cristal, Remo, Ginásio David Gusmão), mas patrimônio é muito mais abrangente, envolve sim as posses de prédios e terrenos, mas também envolve outros bens de valores tangíveis e intangíveis do Grêmio, como, por exemplo seus atletas, sua peça de orçamento, e o mais importante de todos os itens que compõem nosso patrimônio, que é a imagem do Grêmio.
Nosso trabalho dentro da comissão é o de usarmos nossos conhecimentos técnicos, nosso espírito Gremista e nosso olhar crítico de conselheiros sobre todos estes ítens e sobre a forma que a diretoria Gremista os administra. Somos os olhos do Conselho e de todos os Associados do Grêmio sobre a administração dos itens do nosso Patrimônio.
A comissão realiza reuniões onde são debatidos tópicos, realizadas avaliações e sugeridas novas demandas. Além disso, estamos realizando um acompanhamento especial das obras da Arena, que sem dúvidas é o principal ponto atual de atenção não apenas do patrimônio, mas dos corações Gremistas.
MGN – A profissionalização do departamento de futebol. Qual tua opinião sobre o tema? Qual o modelo que acreditas que seja o ideal para o clube?
Profissionalização do clube é uma bandeira há muito tempo levada em frente pelo MGN. E o departamento de futebol não escapa dessa necessidade. A representação amadora e abnegada pode continuar existindo apenas como o braço dos associados e demais torcedores Gremistas na definição das premissas, dos princípios que norteiam a condução da administração do clube, mas a Gestão PRECISA ser profissional. É necessária a presença de profissionais competentes em suas áreas, remunerados, com responsabilidades de gestão nas diversas Diretorias do clube. Como exemplo, um Gestor de Marketing do Grêmio precisa entender de gestão de Marketing esportivo, precisa ser dinâmico, estar sempre um passo à frente do Futebol, mas antes de tudo isso, precisa conhecer o que quer e o que sensibiliza um aficcionado pelo Grêmio e também por futebol. Achar que o universo de mercado do Grêmio no cenário Mundial se restringe apenas à sua torcida é não conhecer e não querer explorar o potencial de mercado que o Grêmio representa.
Sobre modelos de Gestão Profissional do Futebol, sou contrário a encampar no Grêmio um modelo único, completo, baseado em algum case de sucesso no futebol mundial. Buscar adotar alguns procedimentos como base, que possam ser adequados à nossa realidade e, em especial, à PERSONALIDADE do Grêmio é saber explorar aquilo que já foi criado e deu certo, não reinventando a roda. Mas acredito que cada clube tem uma realidade e uma personalidade, e assim, aquele modelo de gestão que deu certo em um clube não irá, necessariamente, dar certo em outro.
O que vejo sem dúvida como benéfico ao Grêmio é uma manutenção do modelo de gestão dinâmico e alinhado com o mercado, que venha a ser adotado e que apresente resultados no médio/longo prazo, na forma de compromisso dos candidatos à Presidência e seu Conselho de Administração. Resultados em futebol, com consistência, que se mantenham ano após ano, não acontecem em um ou dois anos. Dependendo do estágio em que se encontra o clube de futebol, podem ser necessários de 5 a 6 anos para consolidação de um padrão que renda a perenidade de bons resultados dentro de campo. E esse é o modelo que defendo para o futebol.
MGN – Gestão, mudança para a Arena e Planejamento Estratégico no Grêmio. Quais as ações e desdobramentos necessários para o sucesso?
A ação campeã, de sucesso em gestão, é simples: colocar os profissionais com a competência na gestão das áreas de sua competência. Não se pode colocar um exímio Contador para ser gestor do Departamento Jurídico, por exemplo. Existem excelentes advogados para essa função. Essa é a receita. Sem segredo.
A mudança para a Arena já está acontecendo em sua etapa de planejamento. E entendo que essa transição terá o sucesso proporcional à competência das pessoas que a estão conduzindo. Envolver nessa transição equipes com expertise em pesquisa de mercado, MKT, vendas, gestão de imagem, além de bons arquitetos, fará toda a diferença para o sucesso deste delicado trabalho que envolve essa transição. A Arena terá, acertadamente, preservada a memória da história do Olímpico Monumental e da Baixada. Acredito que o Olímpico Monumental poderá ser muito lucrativo para o Grêmio após sua desativação como estádio. Já externei essa idéia ao pessoal de gestão e acredito que pode e deve ser um ponto a ser explorado pelo clube. Quem não irá querer ter a oportunidade de possuir lembranças físicas do Olímpico?
E o Planejamento Estratégico é uma ferramenta importantíssima, mas não um fim, em qualquer modalidade de gestão. Sem a execução sendo realizada de maneira competente e continuada, focando na manutenção das ações que vão bem e corrigindo o rumo no que não apresentou o resultado esperado, o melhor planejamento não vai atingir seu objetivo que é o de estruturar o caminho e organizar as ações para que sejam atingidos os resultados. O MGN desde seu princípio tem sido participante ativo da implementação desta ferramenta de gestão no nosso clube, tendo parceiros que atuaram no mesmo sentido. A Arena vem a ser um facilitador para a consolidação desse trabalho, pois permitirá termos uma estrutura organizada de gestão das diferentes áreas que compõem a estrutura do Grêmio, com indicadores bem definidos e resultados mais facilmente mensuráveis.
6. Uma mensagem final para o associado tricolor.
Ser Gremista é saber que o esporte chamado de futebol tem mais de 100 anos de existência, que não se trata de uma inovação esportiva com menos de 10 anos, como algumas outras torcidas menores desse país acreditam.
Ser Gremista é muito mais que ser apenas um mero torcedor de um clube de futebol, é um estado de espírito, UM SENTIMENTO! Ser sócio Gremista é tudo isso somado com atitude e com o orgulho de estar ajudando a manter o Grêmio, a preservar seu passado e a construir o seu futuro.
Aquele Gremista que busca tudo isso e acredita que pode ajudar ainda mais no crescimento e consolidação da instituição Grêmio, esse Gremista tem a cara do Movimento Grêmio Novo. Junte-se a nós do MGN, porque o Grêmio não pode abrir mão de você.
Fui na Arena com o teu Presidente Luciano e o Tomas e fiquei sabendo dos trigemeos ; parabens e obrigado pela deferencia na entrevista ! Parece que existe uma relacao de trigemeos com a cerveja,heheheheheh
Presidente Bombassaro, Evandro se definiria como ”gremista desde a concepção”. Legal, assim como seu jogo inesquecível, como seria bom o Grêmio ganhar o Brasileiro de novo. Pintaram o River Plate como muito ruim, como no Batistão deram trabalho no Olímpico. Felizmente vencemos e avançamos, no jogo seguinte lembraremos mais da lesão de Kleber do que da vitória sobre o Cruzeiro, uma pena. André Lima também é baixa. Gostaria de ver ”o ataque Argentina-Bolívia” (Bertoglio e Marcelo Moreno) contra o Avenida amanhã. Alô Jorge Bastos, espero que o Grêmio trabalhe bem a questão dos sócios na Arena. Acho possível que alguns não gostariam que o Olímpico acabasse.