Visualizando tag: Entrevista

MGN Entrevista – Odorico Roman

Hoje entrevistamos o conselheiro Odorico Roman, 54 anos, gremista desde que tem lembrança. Economista formado pela UFRGS, com mestrado em Administração Estratégica na PUC RS e Pós-graduação em Finanças pela UFRGS. Associou-se ao Grêmio em 1982 e integra o MGN desde 2005.

MGN – Lembrança de um jogo inesquecível.

Um jogo inesquecível para mim foi a final da Libertadores de 1983. À época, o torneio tinha um sistema de disputa diferente do atual. Para começar, era muito difícil um clube brasileiro classificar-se para sua disputa, pois participavam apenas o campeão e o vice do Campeonato Brasileiro. Vinte times de dez países eram divididos em cinco chaves de quatro clubes. O Grêmio estava no grupo com Flamengo (o outro brasileiro na disputa) e os bolivianos Blooming e Bolívar. Apenas o campeão de cada grupo seguia em frente. Juntava-se a eles o campeão do ano anterior, para fazerem as semi-finais: seis times divididos em duas chaves com jogos de ida e volta. Por fim, os campeões de cada chave faziam a final da Copa. Nas semi-finais, ficamos no grupo com Estudiantes e América de Cali. O Grêmio venceu a sua chave e o Peñarol, campeão de 1982, foi o classificado na outra. A primeira partida da final, realizada em Montevidéu, terminou empatada em 1 x 1. Tita fez o gol do Grêmio. Então, no dia 28 de julho de 1983, data da segunda partida da final, o nosso estádio Olímpico estava superlotado. O jogo foi antecedido por enorme expectativa e a tensão, presente durante a semana, só fez aumentar quando a bola rolou. O gol de Caio, aos 10 minutos do primeiro tempo, não aliviou a ansiedade dos mais de 70 mil torcedores presentes ao Monumental. O empate do Peñarol aos 25 da etapa final levou a tensão do estádio ao clímax. Então, a 15 minutos do término da partida, houve o lance mágico de Renato, levantando a bola de uma área aparentemente inofensiva, e hoje sagrada do gramado, diretamente para a cabeça de César. Foi o gol do título e a senha para o início da festa que atravessou o apito final e enfiou-se pela noite e dias seguintes. O jogo, a euforia no estádio e a festa nas ruas é uma lembrança que nunca se apagará da minha memória.

MGN – Porque o MGN? Podes contar um pouco da tua história no Movimento?

Em 2005, participar da vida política do Grêmio era algo impensável para mim. À época, contava 23 anos de associação ao clube e me acostumara a ver o ambiente político do clube como algo impenetrável. Um dia, um colega de curso, Thiago Karan, que observara a minha paixão pelo Grêmio, após passar algumas informações sobre o Movimento Grêmio Novo, convidou-me para participar de uma reunião, marcada para um sábado de manhã. Fui apresentado a alguns participantes e comecei a conhecer o ideário do MGN. O que me cativou foi o espírito aberto e democrático do movimento, além da defesa da profissionalização do clube. Atualmente, como conselheiro do Grêmio eleito para o mandato 2010-2016, participo da Comissão para Assuntos Econômico-Financeiros. Sou, também, membro da atual Diretoria do MGN.

Registro que o MGN é uma porta para a vida do clube, aberta por associados que desejavam participar dela mais intensa e ativamente. O projeto Arena, a proposição e defesa da redução das cláusulas de barreira, o compromisso com o mandato por parte dos conselheiros Arena e a defesa da profissionalização são ideias e eventos para os quais o MGN concorreu de forma decisiva. Estas bandeiras, muitas já tornadas realidade, me fazem avaliar ter tomado uma ótima decisão ao aceitar o convite para caminhar com o MGN.

MGN – Como integrante da Comissão para Assuntos Econômico-Financeiros do Conselho Deliberativo, podes falar um pouco sobre as atividades desenvolvidas por essa Comissão e sobre a sua importância para o clube?

Cabe à Comissão para Assuntos Econômico-Financeiros analisar os dados contábeis e financeiros do Grêmio e levar parecer ao Conselho Deliberativo. Sua importância está no fato de ser o principal instrumento institucional através do qual o Conselho Deliberativo toma conhecimento da situação econômica e financeira do clube.

MGN – A profissionalização do departamento de futebol. Qual tua opinião sobre o tema? Qual o modelo que acreditas que seja o ideal para o clube?

As mudanças ocorridas no futebol nos últimos anos precisam ser bem compreendidas para que o clube aproveite as oportunidades delas decorrentes e evite as armadilhas existentes. Nos últimos 10 anos, as receitas das associações de futebol aumentaram muito. As rendas de direitos de TV recebidas pelos clubes que disputam o brasileiro, por exemplo, cresceram de R$ 130 milhões em 2002 para R$ 800 milhões em 2012. Neste mesmo período, o endividamento dos principais clubes aumentou de forma assustadora. Isto significa que alguém, que não os clubes, está se apropriando desta renda adicional. Sejam jogadores, técnicos ou empresários, constata-se como regra que os clubes não estão conseguindo reter sequer uma parcela do ganho adicional para equilibrarem as suas contas. Eles estão transformados em simples repassadores dos ganhos extras, que contemplam ainda bilheteria, quadro social e licenciamento da marca, para outros participantes do mercado.

Neste contexto, a profissionalização não só do departamento de futebol, mas de toda a estrutura administrativa do clube é fundamental. É necessário haver um sistema gerencial forte, com controles internos definidos, abrangendo todas as atividades da instituição. As despesas precisam ser rigorosamente acompanhadas e controladas. A palavra de ordem nas finanças deve ser disciplina orçamentária. O orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo deve ser, não apenas respeitado, mas entendido pelo Conselho de Administração como o limite máximo de dispêndios permitido.

Os clubes não podem adotar o método de tentativa e erro como modelo de gestão do futebol. Esta prática tornou-se muito cara nos dias atuais. A necessária minimização dos equívocos pressupõe bom conhecimento do mercado e isso só os profissionais têm. Na minha concepção, o clube define claramente a política de contratações, o perfil dos jogadores desejáveis e estabelece uma política salarial realista, que seja suportada pelas receitas. Os profissionais contratados para gerir o futebol devem pautar-se por estes parâmetros, com estreito acompanhamento do Conselho de Administração.

A condução racional e responsável do futebol não deve contemplar, por exemplo, a contratação de jogadores de nível médio. Estes devem vir obrigatoriamente da base. Se a base não consegue abastecer o time principal com atletas capazes de fazer o trivial (marcar, passar a bola com segurança, acertar chutes no gol com índice razoável de sucesso, cruzar a bola sobre a área adversária, ter comportamento tático adequado), pode-se dizer que ela é inútil para o clube. Aparentemente, nos dias de hoje, toda a atenção das categorias de base dos clubes está voltada para a descoberta de um novos pelés, de um novos neymares. Isso faz com que haja milhares de meninos rodando por clubes, trazidos por interessados em encontrar um “bilhete premiado”. A captação de atletas virou loteria. É o método de tentativa e erro na versão categorias de base. E o que é mais grave: muitas vezes, atendendo interesses de terceiros.

No modelo que considero ideal, a base deve voltar-se para a identificação de jovens  com recursos técnicos adequados para jogar futebol e dar a eles: 1) tranquilidade para se formarem como atletas profissionais, sem queimarem etapas; 2) formação moral e psicológica para suportar a profissão; 3) educação. Um menino inciante sofre hoje, além das pressões normais dos jogos, as da disputa por um lugar no grupo, a pressão da família, que vê nele a oportunidade de mudança da condição econômica, e a dos empresários, que o enxerga como um investimento que deve dar alto retorno. Com isso, garotos que são aprendizes, lutam para serem vistos como craques o mais cedo possível. Isso prejudica o aprendizado e a formação do atleta. Afinal, craque não pode ser visto treinando fundamentos. Seria uma demonstração de deficiência e o caminho mais curto para sair do circo. O resultado final desse cassino em que transformaram a maioria das categorias de base do país é a entrega ao plantel profissional de atacantes que não sabem chutar, meio campistas que erram passes de 10 metros, zagueiros incapazes de rebater uma bola com segurança e volumes consideráveis de recursos desperdiçados. Suspeito que a tentativa de procurar um craque para cada posição deixa escapar dezenas de meninos que poderiam suprir de 40 a 60% das posições do time profissional. Este suprimento acaba vindo de fora, com pagamento de direitos econômicos e federativos, salários mais elevados e comissões que alimentam de forma contínua e crescente os déficits dos clubes. Um clube com categoria de base bem estruturada deveria ir ao mercado apenas para comprar o atleta diferenciado, nunca para formar plantel.

MGN – Gestão, mudança para a Arena e Planejamento Estratégico no Grêmio. Quais as ações e desdobramentos necessários para o sucesso?

O sucesso da gestão tem chance muito maior de ser alcançado se ela for profissional. Isso é fundamental. Nas áreas chave, não há mais espaço para abnegados que desembarquem no clube para ajudar “no que for possível”, tendo, muitas vezes, que aprender sobre o mundo do futebol antes de poderem dar qualquer contribuição. Isso não significa que o associado engajado não possa auxiliar em funções administrativas acessórias. Porém, mesmo para isso, deve haver uma formação anterior, que poderia ser promovida pelos movimentos políticos com apoio do clube. A formação de dirigentes e assessores é um aspecto que a urgência dos últimos anos relegou a um plano secundário. Mas é essencial que é o comando operacional do futebol, das finanças, do marketing e do jurídico, seja entregue a profissionais escolhidos de acordo com a filosofia do clube.

A mudança para a Arena é uma operação extremamente complexa. Envolve não só a migração dos sócios, que é a parte mais visível no momento, como também a mudança física, além de impactos contábeis e de posicionamento no mercado, que precisam ser tratados de forma adequada. A migração dos associados está sendo muito bem conduzida pelo Grêmio e pela Grêmio Empreendimentos. As demais facetas da transição têm componentes muito importantes que precisam ser tratados de forma profissional para chegarem a bom termo.

Entendo o Planejamento Estratégico como uma espécie de procuração que o Conselho Deliberativo outorga ao Conselho de Administração, com os objetivos a serem perseguidos pela gestão. Na prática, não é esta a visão dominante no Grêmio. Isso precisa mudar e o movimento para a mudança deve partir do próprio Conselho Deliberativo. Ele deveria assumir efetivamente o Planejamento Estratégico e exigir a sua implementação. Ele deveria estabelecer mecanismos de acompanhamento e, através de comissões temáticas, fixar indicadores de desempenho para cada um dos macroprocessos identificados no PE. Estes indicadores deveriam ser acompanhados e levados periodicamente para apreciação do Conselho Deliberativo. Sem isso, o clube fica entregue aos humores da chapa eleita para gerir o clube, com intermináveis recomeços, ciclos que consomem energia e recursos. O Planejamento Estratégico deve ser o principal livro de cabeceira e o vade-mécum do CA e do CD.

MGN – Como avalias os resultados do Fórum de Debates criado no âmbito do Conselho Deliberativo?

O Forum está sendo coordenado de forma muito produtiva pelo Presidente Raul Régis. Participantes de todos os movimentos políticos do Grêmio estão desenvolvendo esforços para que se estabeleçam diretrizes capazes de dar perenidade às ações desenvolvidas em áreas chave do clube. Se o documento for acatado pelos dirigentes presentes e futuros do Grêmio, terá sido construído algo extraordinário e inédito na política do clube: a garantia de continuidade de projetos vitais para a Instituição, independente da coalizão que esteja no poder.

MGN – Blogs e demais mídias sociais. Como conhecido entusiasta destes temas, qual é a tua opinião sobre a forma como o clube utiliza essas ferramentas? Em que medida as novas mídias vão alterar o relacionamento entre o sócio e o clube?

Eu não me sinto em condições de opinar especificamente sobre o uso que o Grêmio faz das mídias, porque desconheço detalhes das estratégias desenvolvidas. Posso falar sobre o que chega a mim como torcedor, sócio e conselheiro, enfim, como consumidor da marca Grêmio: as mídias não me estimulam a seguí-las ou a consumir mais Grêmio. Dada a importância que estas ferramentas assumiram nos processos de comunicação, isso pode ser um problema, se as mídias do clube forem invisíveis também para muitos outros associados e torcedores.

Quanto aos blogs, eles revolucionaram a forma como as informações chegam às pessoas em todo o mundo. A relação deles com o Grêmio deve considerar uma questão fundamental: a independência desses espaços. Os blogs não podem ser vistos ou tratados como extensões do sistema de comunicação do clube. Contudo, como a participação deles tem, sem dúvida, o poder de amplificar muito os resultados das ações de marketing e de comunicação, poderiam ser mais utilizados. Há muitos blogueiros dispostos a ajudar e eles poderiam ser incorporados dentro de um plano definido de interação, sem privilégios e com respeito à independência dos espaços.

8. Uma mensagem final para o associado tricolor.

Quero aproveitar este momento dirigir aos associados mais algumas palavras sobre os nossos estádios. O Olímpico Monumental é um local sagrado para mim. Carrego na lembrança inúmeras cenas vividas dentro dele, que me acompanharão pelo resto da vida. A saída deste nosso templo do futebol será carregada de emoção e tristeza. O amor ao Olímpico, contudo, não é incompatível com o sentimento de orgulho que teremos com a Arena. A transição para o novo estádio representa um momento histórico para o Grêmio. A partir de dezembro deste ano, o clube passará a viver outra realidade. Como já referi acima, a transição é complexa e possui muitas facetas. Os seus condutores precisam ter (e acredito que vêm tendo) sabedoria para enxergar e equacionar todas as variáveis deste processo. O futuro do clube dependerá muito da sua capacidade de gerir a transição.

Tenho dito a pessoas que questionam a localização atual dos associados comparativamente com a definida para a Arena com o seguinte argumento: ninguém ficará pior acomodado na Arena do que fica no Estádio Olímpico. Pelo mesmo valor, ninguém estará mais longe do gramado na Arena do que estava na casa do Largo dos Campeões. O sucesso do Projeto Arena depende muito da manutenção e ampliação do quadro de associados. Quem quer ver o Grêmio grande e vencedor, deve fazer um esforço e vincular-se ao quadro social do clube. E aqueles que desejarem dar contribuições também na forma de idéias e, eventualmente, trabalho têm no Movimento Grêmio Novo uma porta de entrada para isso.

MGN Entrevista – Evandro Janovik

O papo de hoje é com o conselheiro Evandro Janovik. Gremista desde Abril de 1970, nascido em 29 de Dezembro de 1970 e Sócio Gremista desde 1994, Engenheiro e Mestre Cervejeiro, Evandro é integrante do MGN desde a origem. Nunca perdeu uma partida em Mundial de Clubes, tendo sempre honrado a história do futebol Sul-Americano.

MGN – Lembrança de um jogo inesquecível.

Jogos inesquecíveis foram muitos, isso é próprio de um clube multi campeão e com a personalidade do Grêmio. Mas para eleger um entre tantos, vou usar o critério de estar presente, onde escolho Grêmio x Portuguesa, final do Campeonato Brasileiro de 1996, exemplo clássico do que o Grêmio é e representa, do “não se entregar nunca”, do “crescer na adversidade”, da “força indestrutível da torcida Gremista”, do “contra tudo e contra todos” (lembram da “namoradinha do Brasil”, todos querendo a Lusa campeã?).

Por fim, um motivo mais que especial para escolher essa partida: foi a primeira partida que minha mãe assistiu no estádio Olímpico. Minha mãe, meu maior amuleto da boa sorte!

MGN – Porque o MGN? Podes contar um pouco da tua história no Movimento?

Uma tarde de domingo, num jogo no Olímpico, em maio de 2000, recebi na arquibancada social do estádio Olímpico um panfleto, metade de uma folha A4, convidando a participar de reuniões de associados que seriam realizadas num restaurante da Felix da Cunha. Era o surgimento do MGN, as primeiras reuniões do Movimento Grêmio Novo. No começo duas mesas eram suficientes para as reuniões daquele pequeno grupo de associados Gremistas que buscavam um Grêmio com “Transparência e Participação”.

Como não tínhamos nenhum laço familiar, político, de amizade ou profissional com integrantes do conselho deliberativo e da direção da época, nosso começo, como quase todo começo sem “padrinhos” teima em ser, foi bastante duro com nosso desejo de obter espaço dentro do Grêmio para nossas idéias e propostas. Com um claro foco em implantação de conceitos (e práticas) de gestão e de melhorias, associado à uma postura propositiva, fomos nos fazendo ouvir aos poucos dentro da administração e do conselho do clube, com idéias entregues na forma de projetos razoavelmente estruturados e efetivamente aplicáveis.

Porque o MGN? Na realidade, na época, início do ano 2000, não havia a pluralidade de Movimentos que se vê hoje. O que eu vi em nossas primeiras reuniões foi um grupo, ainda pequeno, de Gremistas que pensavam o Grêmio aberto ao seu sócio, vivendo para atender aos anseios dos seus sócios e torcedores, plural em representatividade de pensamentos, de administração profissional e competente, com gestão por indicadores, dividido em áreas e unido em prol dos resultados de fora e de dentro do campo. Um Grêmio que trilhasse caminhos modernos em gestão administrativa e esportiva, com foco em resultados.

O MGN foi o pioneiro como Movimento. Foi pioneiro em agrupar Gremistas desejosos de participar ativamente da vida administrativa e política do clube. Rompemos barreiras, afinal, ainda no começo dos anos 2000 apenas entravam para o conselho associados com laços familiares, políticos ou profissionais com os “cardeais” da política tricolor ou com conselheiros influentes. Foi o MGN que propôs e defendeu a inovadora campanha “Presidente do Centenário, Eu quero votar!” Era o embrião das atuais eleições para Presidente do Grêmio abertas aos sócios que hoje são uma realidade. Foi o MGN que propôs pela primeira vez eleições proporcionais para o Conselho, permitindo que o acesso a vagas no Conselho Deliberativo deixasse de ser apenas sonho de sócios Gremistas não apadrinhados. E por fim foi e é o MGN quem se mantém firme na busca de democratizar cada vez mais nosso clube.

Dentro do MGN, participei em comissões na primeira diretoria, fui Presidente do MGN durante um curto espaço de tempo, pude liderar alguns dos primeiros trabalhos apresentados ao Grêmio, tais quais a primeira pesquisa de satisfação dos associados com o clube, projeto de implantação de placar eletrônico em formato de negócio como fonte de receita, projeto de estratificação de dados da nossa primeira ouvidoria, dentre outros trabalhos levados à frente pelo grupo. Desde o seu início o MGN foi um grupo que pensava o Grêmio em constante evolução e modernização. Também muito me orgulho dos trabalhos na linha de frente, tais quais a função de orientador de jogos, o trabalho realizado como ouvidor na implantação da nossa primeira ouvidoria junto ao líder e amigo Saul Berdichevski, as diversas atividades de distribuição de informativos do MGN aos sócios em dias de jogos (sob sol e chuva), eleições, e, por fim, a participação em trabalhos que eram o embrião e as primeiras ações efetivas do Projeto da nossa Arena.

Tenho uma satisfação pessoal muito grande em ter participado do surgimento de um grupo de associados que fez o Grêmio democratizar-se e modernizar sua gestão. E que está dando uma obra do tamanho da Arena a toda a torcida Gremista.

MGN – Como integrante da Comissão para Assuntos Relativos ao Patrimônio do Conselho Deliberativo, podes falar um pouco sobre as atividades desenvolvidas por essa Comissão e sobre a sua importância para o clube?

A oportunidade que me foi dada de participar da Comissão para Assuntos Relativos ao Patrimônio do Conselho Deliberativo está sendo algo que me apresentou um enorme prazer de poder estar muito próximo da construção da Arena e dos outros itens deste Projeto e ao mesmo tempo me desafiou como Engenheiro que sou, por formação.

Esta Comissão trata, dentro do escopo de atividades do conselheiro deliberativo, das questões que envolvam o patrimônio do Grêmio. É comum imaginarmos como patrimônio do Grêmio apenas seus estádios (Olímpico e Arena), CT de Eldorado do Sul e suas áreas sociais (Ilha, Cristal, Remo, Ginásio David Gusmão), mas patrimônio é muito mais abrangente, envolve sim as posses de prédios e terrenos, mas também envolve outros bens de valores tangíveis e intangíveis do Grêmio, como, por exemplo seus atletas, sua peça de orçamento, e o mais importante de todos os itens que compõem nosso patrimônio, que é a imagem do Grêmio.

Nosso trabalho dentro da comissão é o de usarmos nossos conhecimentos técnicos, nosso espírito Gremista e nosso olhar crítico de conselheiros sobre todos estes ítens e sobre a forma que a diretoria Gremista os administra. Somos os olhos do Conselho e de todos os Associados do Grêmio sobre a administração dos itens do nosso Patrimônio.

A comissão realiza reuniões onde são debatidos tópicos, realizadas avaliações e sugeridas novas demandas. Além disso, estamos realizando um acompanhamento especial das obras da Arena, que sem dúvidas é o principal ponto atual de atenção não apenas do patrimônio, mas dos corações Gremistas.

MGN – A profissionalização do departamento de futebol. Qual tua opinião sobre o tema? Qual o modelo que acreditas que seja o ideal para o clube?

Profissionalização do clube é uma bandeira há muito tempo levada em frente pelo MGN. E o departamento de futebol não escapa dessa necessidade. A representação amadora e abnegada pode continuar existindo apenas como o braço dos associados e demais torcedores Gremistas na definição das premissas, dos princípios que norteiam a condução da administração do clube, mas a Gestão PRECISA ser profissional. É necessária a presença de profissionais competentes em suas áreas, remunerados, com responsabilidades de gestão nas diversas Diretorias do clube. Como exemplo, um Gestor de Marketing do Grêmio precisa entender de gestão de Marketing esportivo, precisa ser dinâmico, estar sempre um passo à frente do Futebol, mas antes de tudo isso, precisa conhecer o que quer e o que sensibiliza um aficcionado pelo Grêmio e também por futebol. Achar que o universo de mercado do Grêmio no cenário Mundial se restringe apenas à sua torcida é não conhecer e não querer explorar o potencial de mercado que o Grêmio representa.

Sobre modelos de Gestão Profissional do Futebol, sou contrário a encampar no Grêmio um modelo único, completo, baseado em algum case de sucesso no futebol mundial. Buscar adotar alguns procedimentos como base, que possam ser adequados à nossa realidade e, em especial, à PERSONALIDADE do Grêmio é saber explorar aquilo que já foi criado e deu certo, não reinventando a roda. Mas acredito que cada clube tem uma realidade e uma personalidade, e assim, aquele modelo de gestão que deu certo em um clube não irá, necessariamente, dar certo em outro.

O que vejo sem dúvida como benéfico ao Grêmio é uma manutenção do modelo de gestão dinâmico e alinhado com o mercado, que venha a ser adotado e que apresente resultados no médio/longo prazo, na forma de compromisso dos candidatos à Presidência e seu Conselho de Administração. Resultados em futebol, com consistência, que se mantenham ano após ano, não acontecem em um ou dois anos. Dependendo do estágio em que se encontra o clube de futebol, podem ser necessários de 5 a 6 anos para consolidação de um padrão que renda a perenidade de bons resultados dentro de campo. E esse é o modelo que defendo para o futebol.

MGN – Gestão, mudança para a Arena e Planejamento Estratégico no Grêmio. Quais as ações e desdobramentos necessários para o sucesso?

A ação campeã, de sucesso em gestão, é simples: colocar os profissionais com a competência na gestão das áreas de sua competência. Não se pode colocar um exímio Contador para ser gestor do Departamento Jurídico, por exemplo. Existem excelentes advogados para essa função. Essa é a receita. Sem segredo.

A mudança para a Arena já está acontecendo em sua etapa de planejamento. E entendo que essa transição terá o sucesso proporcional à competência das pessoas que a estão conduzindo. Envolver nessa transição equipes com expertise em pesquisa de mercado, MKT, vendas, gestão de imagem, além de bons arquitetos, fará toda a diferença para o sucesso deste delicado trabalho que envolve essa transição. A Arena terá, acertadamente, preservada a memória da história do Olímpico Monumental e da Baixada. Acredito que o Olímpico Monumental poderá ser muito lucrativo para o Grêmio após sua desativação como estádio. Já externei essa idéia ao pessoal de gestão e acredito que pode e deve ser um ponto a ser explorado pelo clube. Quem não irá querer ter a oportunidade de possuir lembranças físicas do Olímpico?

E o Planejamento Estratégico é uma ferramenta importantíssima, mas não um fim, em qualquer modalidade de gestão. Sem a execução sendo realizada de maneira competente e continuada, focando na manutenção das ações que vão bem e corrigindo o rumo no que não apresentou o resultado esperado, o melhor planejamento não vai atingir seu objetivo que é o de estruturar o caminho e organizar as ações para que sejam atingidos os resultados. O MGN desde seu princípio tem sido participante ativo da implementação desta ferramenta de gestão no nosso clube, tendo parceiros que atuaram no mesmo sentido. A Arena vem a ser um facilitador para a consolidação desse trabalho, pois permitirá termos uma estrutura organizada de gestão das diferentes áreas que compõem a estrutura do Grêmio, com indicadores bem definidos e resultados mais facilmente mensuráveis.

6. Uma mensagem final para o associado tricolor.

Ser Gremista é saber que o esporte chamado de futebol tem mais de 100 anos de existência, que não se trata de uma inovação esportiva com menos de 10 anos, como algumas outras torcidas menores desse país acreditam.

Ser Gremista é muito mais que ser apenas um mero torcedor de um clube de futebol, é um estado de espírito, UM SENTIMENTO! Ser sócio Gremista é tudo isso somado com atitude e com o orgulho de estar ajudando a manter o Grêmio, a preservar seu passado e a construir o seu futuro.

Aquele Gremista que busca tudo isso e acredita que pode ajudar ainda mais no crescimento e consolidação da instituição Grêmio, esse Gremista tem a cara do Movimento Grêmio Novo. Junte-se a nós do MGN, porque o Grêmio não pode abrir mão de você.

 

MGN Entrevista – Alessandro Alves dos Santos

A conversa de hoje é com o conselheiro Alessandro Alves dos Santos. Apaixonado por futebol e, acima de tudo um grande estudioso do esporte, Alessandro tem 37 anos de idade, é militar com 19 anos de carreira e integra o Movimento Grêmio Novo desde 2008.

 

MGN – Lembrança de um jogo inesquecível.

Um jogo marcante foi o da grande final da Copa do Brasil de 2001, pois sair de Porto Alegre com o empate, após a vantagem de dois gols do adversário, foi um preparo para o que aconteceu no Morumbi. Com o clube desacreditado perante a crônica, o que me restava era viajar de coração aberto e não pensar em outra coisa que não fosse o título. Em um estádio lotado, brindamos a nação tricolor com a maior e melhor exibição em finais de campeonato. Um jogo tenso, mas uma verdadeira demonstração de organização tática e intensidade de ações. Foi o mais lindo 3 x 1 que vi em minha vida. Uma festa inesquecível! De coração aberto vi o Grêmio Campeão!

MGN – Por que o MGN? Quais as razões para integrar o Movimento Grêmio Novo?

Sempre fui um observador dos bastidores do futebol e atento às movimentações políticas do clube. Em 2008, senti que era o momento de integrar um grupo de sócios e o MGN me chamava a atenção por estar livre de amarras políticas tradicionais. Foi através do anúncio de uma reunião de novos integrantes que possibilitou minha chegada no grupo.

MGN – Conta um pouco da tua história no MGN?

No movimento encontrei pessoas com as quais me identifiquei e logo fui integrado a um grupo de trabalho. Precisamente a Comissão de Futebol. Como membro, participei de muitas reuniões e inúmeras discussões sobre tudo que envolve este esporte. Acabei sendo indicado e eleito para o mandato 2011/12 como Vice-Presidente de Futebol do MGN. Antes já ocupava o cargo de conselheiro conquistado no pleito de 2010.

MGN – Profissionalização na gestão do futebol. Qual tua opinião sobre o tema?

Muito se tem falado sobre este tema. Este processo requer, antes de remunerar pessoas, diagnósticos internos a repeito das metas da entidade. Uma ampla investigação da identidade do clube deve indicar um discurso institucional. Vejo o caminho da verticalização da política de futebol como algo que deva ser aplicado. Integrar o Futebol Profissional com a Categoria de Base, através de uma metodologia padrão de treinamentos, contratações e implementação de um protocolo que vire regra dentro do clube. Chegar ao denominador comum do que é o Grêmio e aperfeiçoar este modelo. Os profissionais contratados devem acrescentar para o aprimoramento do modelo estabelecido, sem ditar regras ou alterar a política do clube.

MGN – Tu ocupa o cargo de Vice-Presidente de Futebol do MGN. Qual o trabalho que a comissão de futebol do Movimento desenvolve?

Recebi a missão de integrar a comissão em atividades práticas e assim estou conduzindo o trabalho. Já são mais de 70 jogos da Base observados, acompanhamento do processo de captação, participação em seminários e cursos, reuniões com dirigentes, encontros com comissões técnicas, viagens com delegações menores e a idealização do Seminário sobre Futebol realizado em novembro de 2011. Tal evento contou com a ilustre participação do Dr. Marco Aurélio Cunha, ex-dirigente do São Paulo FC. Todo este trabalho visa enriquecer o conhecimento dos integrantes do movimento, elucidando as metas e visão estabelecidas pelo clube no desenvolvimento das atividades.

MGN – Na tua opinião, quais os principais problemas enfrentados pelo clube de futebol profissional. Quais são as tuas sugestões e propostas?

Necessitamos firmar uma nova ordem, estabelecendo uma política de governança que envolva todos os processos do clube. Criar uma integração administrativa. Temos que superar a instabilidade vinda dos processos eleitorais, onde cada diretoria eleita se perde em meio as mudanças de prioridades. Iniciamos mandatos com esperança e terminamos preocupados com a eleição e não com o Grêmio a longo prazo. Uma ideia seria o mandato do Presidente passar para 3 anos, o que fortaleceria os processos internos. Temos que transformar nossa cultura através do trabalho que garanta a continuidade de um plano institucional pré-estabelecido. Este trabalho visa ir além do simples cumprimento de mandatos. Enquanto conselheiro, procurarei defender as ideias que avancem neste sentido.

MGN – Uma mensagem final para o associado tricolor.

O MGN ao longo dos anos vem formando um plantel qualificado de integrantes e segue este caminho com o objetivo de tornar a instituição cada vez mais qualificada. O recado que deixo para os associados é que o clube representa o sócio nos seus interesses, desde que estes estejam concatenados e alinhados com a política, metas e visão da entidade chamada Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Creio que nossa instituição pode muito mais. Um abraço amigos!

 

 

 

MGN Entrevista – André Sardá

O entrevistado de hoje é André Sardá, integrante do Movimento Grêmio Novo desde 2001. Publicitário formado pela UFRGS e pós-graduado em administração pela FGV, Sardá é conselheiro do Grêmio FBPA desde 2007.

MGN – Lembrança de um jogo inesquecível do Grêmio.

Grêmio 5×0 Palmeiras, pela Libertadores de 1995. Acho que esse jogo deve ter sido inesquecível pra uma infinidade de gremistas da nossa geração, por toda a dramaticidade e teatralidade que existiu nele, com o balé protagonizado pelo Danrlei, a goleada, enfim, quase uma ópera sendo encenada no Olímpico.

MGN – Por que o MGN? Quais as razões para integrar o Movimento Grêmio Novo?

Sou integrante do movimento desde 2001, num primeiro momento sendo levado a participar de reuniões por vínculos de amizade, sem nem muito bem saber o que poderia acontecer no futuro, já que participação de associados era uma utopia na época. A medida que o tempo foi passando, fomos acreditando um pouco mais em tudo que gostaríamos que acontecesse até que conseguimos nossos objetivos, de participação. A tão sonhada profissionalização ainda está em andamento, mas como um dia, nem sonhávamos em sermos Conselheiros do Clube, quem sabe um dia não tenhamos muito o que dizer sobre a profissionalização plena do clube. Esses fatores que me fizeram acreditar que o MGN era diferenciado. Mas não escolhi o MGN. Não existiam uma serie de escolhas e optei pelo nosso movimento. Como costumo dizer, foi o MGN que me acolheu e a relação foi se desenvolvendo dia a dia. Se hoje eu discordar de alguma coisa e sair do MGN não entraria em nenhum outro grupo, por uma questão de fidelidade com as pessoas que me abriram as portas do Grêmio.

MGN – Conta um pouco da tua história no MGN.

No inicio de 2001, a convite do Rodrigo Karan, fui assistir a uma reunião de “um grupo de torcedores da social” que estavam se reunindo para refletir sobre uma maior participação do associado na vida do Clube. Sendo publicitário, ocupei uma parte do grupo ainda não bem desenvolvida, que era sua comunicação com o associado. A partir dai, contribuí, primeiro como membro depois como Vice Presidente de Comunicação e depois de Marketing, a fazer com que a marca Grêmio Novo se consolidasse na cabeça do torcedor gremista. Procurei fazer com que nossos valores e quem somos fosse bem entendido por todos. Participei das campanhas de renovação do Conselho desde 2004, tendo sido o responsável pela parte criativa de todas essas campanhas. Como Vice Presidente de Marketing, em 2009, fizemos toda uma reformulação nas redes sociais do Movimento, fazendo com que hoje o MGN seja o Movimento que mais cedo e que melhor sabe usar essas ferramentas dentre os grupos organizados do Grêmio.

MGN – Podes falar um pouco sobre a experiência de integrar a Comissão para Assuntos Relativos ao Marketing do Conselho Deliberativo? Qual o papel efetivo desta Comissão?

Foi uma grande honra ter sido indicado a participar dessa Comissão. Confesso que me decepcionei um pouco, principalmente, por que a função da Comissão é auxiliar o Presidente do Conselho quando de algum tema especifico a ser tratado pelo Deliberativo. Hoje no Clube, estatutariamente, os contratos de marketing, imagem e comercialização são decididos exclusivamente pelo Conselho de Administração, o que deixa a nossa Comissão num limbo entre as instâncias. Pra não ficarmos completamente sem função, tentamos auxiliar o executivo, mas, honestamente, sem muito sucesso. Enfim, creio que a saída seria, ou termos mais uma cara de comitê executivo ou que as demandas de marketing do Clube passem por apreciação do Conselho Deliberativo. Imagino que com a profissionalização do clube em progressão, a primeira alternativa seria a mais indicada, desde que todos os integrantes fossem técnicos no assunto.

MGN – O marketing é uma área sensível para o clube. Quais são as tuas sugestões e propostas para o marketing do Grêmio?

Eu acredito que marketing deva ser feito 24h por dia, todos os dias, em qualquer instituição. Desde a forma como os colaboradores do Clube atendem ao telefone até o visual da nossa camiseta, tudo é contabilizado no tal “valor agregado de marca” que muita gente fala, é “especialista” mas ninguém sabe explicar muito bem o que é. Numa era de mídias digitais, deveríamos ser onipresentes, estar em todos os lugares que possam ser pontos de contato com torcedores, o que hoje ganhou uma escala global. Precisamos acima de tudo saber qual a personalidade da nossa instituição, nossa filosofia, pra saber como nos vendermos e pra quem nos vendermos. Pensar em tendências, ter um grupo permanentemente reunido para pensar no clube daqui a 10, 20, 50 anos… Isso fará com que sejamos inovadores, antecipando movimentos de mercado e capitalizando em cima disso. Marketing deveria ser bem mais do que apenas geração de receita a curto prazo, como apenas arrecadação de Quadro Social. É uma ciência aplicada que deveria ser multidisciplinarizada pra que possamos fazer com que nossa marca não seja pega desprevenida nunca.

MGN – Profissionalização, marketing e participação do associado. Podes falar um pouco sobre esses temas?

O marketing é um descendente direto da profissionalização. Vejo o associado como nosso cliente. Pode ser uma mera questão retórica, que levanta polêmicas por aí, mas vejo como a forma mais respeitosa e comprometida de fazer com que o torcedor seja parte do processo. Não interessa se nosso “consumidor” seja mais fiel do que o consumidor de qualquer outro produto, não é isso que determina um cliente/consumidor/associado. Vendemos um produto, agregado a ele milhares de itens de merchandising e pra isso precisamos de uma cadeia de distribuição até chegar no nosso publico final. E nesse processo precisamos sempre ter em mente o resultado,  o melhor produto para que nosso cliente esteja sempre satisfeito e gerando receitas pra que o ciclo continue. O tempero, o gosto disso tudo é a paixão, que faz com que nosso produto tenha um conteúdo muito mais emocional. Mas não vejo nisso um diferencial. Existem cultos a produtos de consumo tão fortemente religiosos quanto a paixão pelo futebol, basta ver o culto a marcas como Apple, por exemplo. Pra esse consumidor, não existem outras marca que dividam a sua atenção, assim como no futebol. Apesar de todos acreditarem que no futebol é diferente, acho que podemos aplicar os mesmos conceitos de qualquer instituição corporativa nele, focando sempre no resultado final, que no nosso caso, são títulos. A grande diferença está no fato de que nosso cliente, faz parte diretamente do espetáculo que vendemos, nos dias de jogo, mas ele só estará lá se entregarmos bons produtos e bons relacionamentos.

MGN – Uma mensagem final para o associado tricolor.

Acredite sempre no nosso clube, na nossa força de marca, na nossa história e tradições e mais do que tudo no futuro, pois estamos pensando um clube para os próximos anos. Mesmo que as vitorias não venham em um curto prazo, o planejamento estratégico quer tornar o Grêmio um dos maiores clubes do mundo novamente. A infra-estrutura para isso está sendo montada, bastando agora começarmos a produzir nossos novos títulos. Muito obrigado pelo espaço!

 

 

MGN Entrevista – Jeferson Thomas

Retomamos hoje a seção MGN Entrevista. O objetivo deste espaço é apresentar ao associado e torcedor gremista um pouco mais de cada integrante do MGN, suas idéias e visões sobre o Clube. Eventualmente, poderão ser entrevistadas personalidades gremistas que não necessariamente façam parte do MGN.

O entrevistado de hoje é o nosso integrante Jeferson Thomas. Conselheiro do Grêmio, integrante do Conselho Fiscal do Clube e um dos representantes do MGN no Fórum de Debates dos movimentos políticos do Clube.

MGN – Qual o jogo que não sai da memória?

Grêmio 3 x 1 Palmeiras, quartas-de-final do campeonato brasileiro de 1996. Frequento o Olímpico desde 1987 – e, desde então, dá pra mencionar muitos jogos nesse sentido, mas o que referi antes é o que me traz maior carga de emoção. Escrevi até uma crônica publicada há algum tempo atrás num blog de torcedores gremistas (blogremio.blogspot.com/...) com a narrativa deste jogo – mas o mais marcante foi o fato da superação, união e força de vontade vencer qualquer dificuldade. A sintonia que havia entre equipe (tanto coletivamente quanto individualmente), comissão técnica e torcida era como poucas já vistas no futebol. E, como descrevo no texto, a foto de capa da Zero Hora no dia seguinte traduz o sentimento de cada gremista ao final do jogo.

MGN – Por que o MGN? Quais as razões para integrar o Movimento Grêmio Novo?

Sou um dos integrantes de primeira hora do MGN – e, dessa forma, ajudei a moldar junto com os companheiros de ontem e de hoje o que se tornaram os valores máximos do MGN: transparência e participação, sempre buscando a subsistência e rentabilização do clube através da gestão profissional. Acredito nesses valores como os que representam os principais anseios do associado em relação ao clube – e também entendo que são os que fundamentam uma gestão que permita fortalecer tanto os processo meio (por exemplo, a administração da relação com o quadro social) quanto os fim do clube (vitórias no futebol). Creio fortemente que, aonde o MGN tem condições de aplicá-los, se pratica esses valores quando ocupa espaços dentro do clube – mas, como toda e qualquer estrutura que esteja em constante processo de modernização, ainda há espaço dentro do Grêmio para que essas práticas sejam ainda aperfeiçoadas e aplicadas a pleno para que possamos tornar ainda mais sólida e vitoriosa a instituição.

MGN – Conte um pouco de sua história no MGN.

Como já disse na resposta anterior, sou um dos integrantes de primeira hora do MGN. Só não participei da reunião de fundação do grupo – mas, a partir da primeira reunião, sempre me mantive ativo nas discussões do grupo (alguns diriam que até demais… mas isso faz parte do perfil que tenho: sem ser excessivamente contestador, mas querendo sempre ter uma visão crítica sobre nossas intenções em relação ao que fazemos para que possamos agregar valor no que propomos e queremos fazer pelo clube). Isso data já de 2000… com o correr dos anos, passei por diversas funções dentro do movimento, atuando nas comissões internas de planejamento estratégico, finanças ou como secretário-geral do MGN, dentre outras. Em 2004, fui um dos escolhidos do grupo para participar da chapa que elegeu quatro conselheiros titulares e seis suplentes – e, em 2007, da mesma forma fui um dos escolhidos pelo movimento para ser candidato a conselheito titular. Como corolário dessa atuação, fui escolhido no final de 2009 para concorrer e posteriormente integrar também o Conselho Fiscal do clube.

Dentro do MGN, sempre procurei fazer o contraponto de nossas idéias para que pudéssemos extrair o melhor de todo grupo – muitas vezes, sem contestação não conseguimos evoluir no nosso planejamento e mesmo nas práticas executadas. Esse tipo de conduta, aliás, é o que entendo também que deva ser desenvolvido dentro do clube – proporcionando um ambiente amplo de discussão conceitual de idéias – fazendo com que estas fomentem tanto a manutenção de um planejamento estratégico que contemple todos os cenários em que o Grêmio esteja inserido quanto os desdobramentos e ações que devem ser tomadas para que este planejamento seja colocado em prática. Entendo que essa prática é essenciamente válida dentro de um ambiente de harmonia mínima que deva ser construído ao longo dos próximos anos.
Como conquistas ao longo desse tempo dentro do processo democrático que me deixaram satisfeito, preciso fazer uma menção especial: a queda das cláusulas de barreira (primeiro, a criação da cláusula de 30%, em 2007, e a posterior redução dessa cláusula para 20% em 2011). Fui um dos primeiros defensores dessa idéia dentro do conjunto de propostas do MGN – e, ao vê-las implementadas, já tenho um sentimento de dever cumprido (ou de um dos deveres cumpridos). É claro que essa cláusula pode ser ainda menor – mas esse processo precisa ter maturidade suficiente entre todos os agentes políticos do clube para que seja adotado a pleno.

MGN – Podes falar um pouco sobre a experiência de integrar o Conselho Fiscal do Grêmio?

Desde que dentro dos limites éticos impostos pela função, claro que sim! Ao longo dos anos, o Conselho Fiscal sempre foi tido pela imprensa e pelo próprio clube como um órgão “referendador” (se é que a palavra existe) das ações já executadas pela administração. Entretanto, as últimas composições desse órgão tem alterado essa prática – fazendo com que este seja realmente um órgão fiscalizador do cumprimento de todos os postulados presentes no Estatuto do Grêmio e nas boas práticas de governança corporativa. Meu sentimento com relação a essa proposta de trabalho é a melhor possível – dado que precisamos ainda evoluir muito nessas questões dentro do clube (não desconhecendo, obviamente, os avanços que as gestões passada e atual já fizeram no sentido da implementação dessas práticas).

MGN – A profissionalização é hoje o problema mais urgente no clube. Como encaras essa questão?

Vejo que existem vários paradigmas para serem rompidos no Grêmio quando se fala de profissionalização. O primeiro, mais urgente, vem sendo quebrado com a contratação de profissionais específicos como determina o Estatuto do Clube. Entretanto, não basta apenas isso para que possamos considerar o clube profissionalizado – e o próximo desafio é estabelecer uma gestão profissional, coordenada entre o Conselho Deliberativo, Conselho de Administração e os executivos do clube (cada um com seu papel específico: o Conselho Deliberativo com o papel de elaboração e acompanhamento constante do planejamento estratégico, o Conselho de Administração do clube determinando quais são as ações a serem praticadas enquanto gestão para o cumprimento desse planejamento e os executivos do clube, comandados pelo CEO, executando as ações determinadas). Pelo que vejo na atual gestão, esse caminho está sendo seguido com a execução do desdobramento do planejamento estratégico – e, agora, devemos (como membros do Conselho Deliberativo) acompanhar os indicadores de desempenho do cumprimento de cada desdobramento para validar esse desempenho – ou, dentro do possível, colaborar na adequação do planejamento para que estes reflitam a realidade tanto do clube quanto dos cenários aonde ele esteja inserido.

Um exemplo claro, para mim, é a Arena e as adequações de projeto que vêm sendo realizadas desde a primeira contratação da OAS – ainda em 2008 até agora. Se conseguirmos fazer isso em todas as áreas do clube, mediante um processo de melhoria contínua, poderemos ter também esse sucesso em outras áreas.

MGN – Uma mensagem final ao torcedor.

O Grêmio só é o gigante que é em função de sua torcida. Não quero dizer aqui que devemos dar o apoio incondicional ao clube – até porque, como comentei antes, se não houver uma análise crítica sobre o que vem sendo feito, não há como evoluir em suas atividades e processos. Entretanto, essa crítica precisa ser despersonalizada – e relacionada diretamente com os pontos que precisam ser melhorados. Digo ao torcedor que procure o seu conselheiro – seja ele de qual grupo pertencer, esteja na situação ou na oposição – para cobrar esse posicionamento de forma a colaborar com o clube. Tenho a certeza de que os companheiros do MGN estarão sempre à disposição para fazer essa ponte e procurar tanto esclarecer as dúvidas dos torcedores quanto levar aos diferentes órgãos representativos do clube as sugestões e idéias propostas – afinal, é esse o papel de um representante eleito pelo torcedor.

Jeferson Thomas tem 38 anos e é administrador formado pela UFRGS, com MBA em Administração em Tecnologia da Informação pela UNISINOS. Atua profissionalmente em gerenciamento de riscos em uma instituição financeira gaúcha, tendo passado por várias áreas de conhecimento ao longo de sua carreira profissional. Dentro dessa atividade, liderou vários fóruns e comitês de discussão no RS sobre gerenciamento de risco e governança corporativa.